A discussão sobre as trotinetas e bicicletas partilhadas sem doca não pode fazer-nos esquecer que o excesso de automóveis, o seu excesso de velocidade e o seu estacionamento abusivo continuam a ser o principal obstáculo à circulação segura de peões em Coimbra.
Isto não significa aceitar o statu quo das trotinetas. A petição «Pelo fim das trotinetas e bicicletas partilhadas sem doca em Coimbra» levanta pontos fundamentais que merecem uma discussão urgente e aprofundada em sede de Câmara e Assembleia Municipal. Em particular, é essencial avaliar o cumprimento dos acordos de colaboração celebrados em 2024 com os operadores privados: foram criados os 213 pontos de estacionamento previstos? São suficientes? Tem havido uma fiscalização efetiva do estacionamento e da circulação indevida?
Nesse sentido, o Coimbr’a Pedal manifesta o seu apoio à petição com a ressalva de que a resposta ao problema deve passar, no curto prazo, pelo reforço da fiscalização e cumprimento dos acordos existentes e, sobretudo, pela criação de um sistema municipal de bicicletas elétricas partilhadas com docas de estacionamento.
Nenhuma destas medidas terá impacto real se forem aplicadas de forma avulsa e reativa. Coimbra tem instrumentos de planeamento que respondem a estas questões de forma integrada: o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), ainda por publicar, e o Plano Ciclável de Coimbra, ainda por implementar. É tempo de colocar estes planos em prática.
Esta necessidade de uma abordagem integrada à mobilidade e ao espaço público ficou bem evidente na semana passada, quando partilhámos a nossa perspetiva sobre um vídeo que mostrava as dificuldades sentidas por uma pessoa cega ao descer a Rua Carlos Alberto Pinto de Abreu, devido aos passeios estreitos ocupados por mobiliário urbano e estacionamento abusivo de automóveis.
Uma cidade segura e acessível para todos exige coragem para atacar as causas estruturais da insegurança e da falta de acessibilidade no espaço público, desde logo o seu sequestro pelo automóvel privado.


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