Promover a bicicleta como alternativa de transporte em Coimbra.

Comunicado sobre o atropelamento mortal na rua Eng. Jorge Anjinho em Coimbra

O Coimbr’a Pedal lamenta profundamente a morte da mulher de 48 anos vítima de atropelamento ocorrido ontem, dia 8 de março de 2026, em Coimbra, e expressa a sua solidariedade à família e amigos neste momento de dor. Segundo notícias divulgadas hoje, a vítima acabou por não resistir aos ferimentos após ter sido atropelada por um veículo cujo condutor se colocou em fuga.

Esta tragédia não pode ser vista como um episódio isolado ou inevitável. As mortes e ferimentos graves no espaço público são, em grande medida, consequência de opções de desenho urbano, gestão do tráfego e políticas de mobilidade que continuam a privilegiar a circulação rápida de veículos motorizados em detrimento da segurança das pessoas.

O Coimbr’a Pedal recorda que as boas práticas internacionais de redução do perigo rodoviário seguem uma hierarquia clara de intervenção: reduzir o volume de tráfego motorizado, reduzir a velocidade de circulação, melhorar o desenho das interseções e redistribuir o espaço público de forma privilegiar os modos ativos (andar a pé e de bicicleta).

Infelizmente, Coimbra continua longe de aplicar de forma consistente estes princípios.

Uma das travessias da rua Eng. Jorge Anjinho

A rua Eng. Jorge Anjinho, onde ocorreu o atropelamento, é um exemplo preocupante. Trata-se de um eixo urbano com várias vias de circulação, onde existem passadeiras que obrigam as pessoas a atravessar quatro vias de trânsito, sem condições adequadas de acalmia de tráfego. A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária tem reiteradamente divulgado que, em caso de atropelamento, o risco de morte aumenta drasticamente a velocidades superiores a 30 km/h. Por isso, nesta via o limite de velocidade permitido (50 km/h) é excessivo para um contexto urbano com atravessamentos pedonais, limite esse que é sistematicamente excedido pelos condutores que a utilizam. 

Num sistema viário seguro, ruas com estas características deveriam ter limites de velocidade significativamente mais baixos e incorporar medidas físicas de acalmia de tráfego que tornem impossível circular a velocidades perigosas.

É urgente implementar medidas como:

  • redução efetiva dos limites de velocidade em vias urbanas com atravessamentos pedonais;
  • passadeiras sobreelevadas com refúgios centrais e atravessamentos mais curtos;
  • lombas, estreitamentos e outras soluções de acalmia de tráfego;
  • fiscalização consistente do cumprimento dos limites de velocidade;
  • redistribuição do espaço viário para modos ativos (andar a pé e de bicicleta) e transporte público.
Esboço de um desenho urbano mais seguro para a rua Eng. Jorge Anjinho

Esta tragédia expõe também uma lacuna estrutural na governação da mobilidade em Coimbra. A cidade continua sem um Plano Municipal de Segurança Rodoviária e sem um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável que defina objetivos claros, medidas concretas e compromissos entre autarquia, forças de segurança, entidades públicas e sociedade civil.

Sem planeamento estratégico e sem coordenação institucional, continuaremos a reagir a tragédias em vez de as prevenir.

A estratégia Visão Zero 2030, adotada como referência em segurança rodoviária, parte de um princípio simples: nenhuma morte ou ferimento grave no espaço público é aceitável. Para isso, é necessário desenhar sistemas viários que reconheçam as limitações humanas e que priorizem a proteção dos utilizadores mais vulneráveis: peões, crianças, idosos e pessoas que se deslocam de bicicleta.

O Coimbr’a Pedal apela por isso:

  • à elaboração urgente de um Plano Municipal de Segurança Rodoviária;
  • à criação de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável participado, calendarizado e financiado;
  • à implementação imediata de medidas de acalmia de tráfego na rua Jorge Anjinho e noutras vias urbanas de Coimbra;
  • ao reforço da fiscalização do excesso de velocidade e de outros comportamentos perigosos.

Cada morte na estrada representa uma falha coletiva do sistema que desenhámos. A melhor forma de honrar a memória das vítimas é transformar as nossas ruas em espaços seguros para todos.

Coimbr’a Pedal

9 de março de 2026

Deixe um comentário